Balanceamento dinâmico em rotores industriais para reduzir vibrações e preservar mancais

O balanceamento dinâmico de rotores industriais busca reduzir forças e vibrações decorrentes de uma distribuição inadequada de massa em relação ao eixo de rotação. Ventiladores, rotores de motores e geradores, turbinas, bombas, polias e outros componentes rotativos podem apresentar esse problema.

Importante porém comentar que, encontrar vibração elevada, não significa que o rotor esteja necessariamente desbalanceado. Desalinhamento, folgas mecânicas, eixo empenado, problemas em mancais, ressonâncias e outras condições podem produzir respostas vibratórias que precisam ser diferenciadas antes da correção.

Balancear sem diagnosticar pode significar adicionar ou retirar massa de um rotor que não precisava dessa intervenção.

Por que o efeito do desbalanceamento aumenta com a rotação?

O desbalanceamento pode ser entendido pela existência de uma distribuição de massa que produz força centrífuga durante a rotação.

De forma simplificada:

F = m × e × ω²

onde:

F = força centrífuga
m = massa desbalanceada
e = excentricidade em relação ao eixo
ω = velocidade angular

A presença de ω² é especialmente importante. Mantidas a massa e a excentricidade, a força cresce com o quadrado da velocidade angular.

Influência da rotação na força gerada pelo desbalanceamento

Figura 1. Influência da rotação sobre a força centrífuga relativa para uma mesma condição de desbalanceamento. Valores normalizados considerando 1.000 rpm como referência igual a 1.

O gráfico não representa medições de uma máquina específica. Ele deriva diretamente da relação física apresentada e mostra por que um mesmo desbalanceamento assume maior importância conforme a velocidade aumenta.

Isso também explica por que pequenas imperfeições na distribuição de massa podem se tornar relevantes em equipamentos de maior rotação.

Antes de balancear, confirme o diagnóstico

Uma componente de vibração significativa na frequência correspondente à rotação pode ser compatível com desbalanceamento, mas não deve ser utilizada isoladamente como prova da causa.

Amplitude, fase, direção da vibração, condição operacional e resposta dos mancais ajudam a construir o diagnóstico. A inspeção também deve verificar fixações, base, alinhamento, acoplamentos, integridade do rotor, depósitos de material e possíveis folgas.

Leitura rápida antes da intervenção

Evidência observadaO que verificar antes de balancearDecisão técnica
Vibração predominante relacionada à rotaçãoAmplitude, fase e direçãoInvestigar desbalanceamento sem concluir apenas pelo espectro
Rotor com incrustação ou depósitoDistribuição e aderência do materialLimpar e reinspecionar antes de corrigir massa
Vibração elevada após manutençãoMontagem, acoplamento, alinhamento e componentes substituídosEliminar causas de montagem antes do balanceamento
Comportamento muda fortemente com a rotaçãoResposta dinâmica e possibilidade de ressonânciaAmpliar o diagnóstico antes de adicionar massa
Vibração permanece após correções sucessivasHipótese inicial e condição mecânica do conjuntoInterromper as tentativas e reavaliar a causa

* A tabela aqui fornecida funciona como roteiro de diagnóstico baseado em princípios de engenharia e experiência do autor.

Qualidade do balanceamento

A qualidade do balanceamento define o nível de desbalanceamento residual admissível para o rotor. Na classificação utilizada pela ISO 21940-11, o grau G está relacionado à velocidade angular e ao desbalanceamento específico residual permissível. Quanto menor o valor de G, maior é a exigência de balanceamento.

O grau não deve ser confundido com a vibração global medida nos mancais. A seleção depende do tipo de rotor, velocidade de serviço, projeto e requisitos aplicáveis ao equipamento.

Para um determinado grau G, quanto maior a rotação do rotor, menor será o desbalanceamento específico residual permitido. Por isso, especificar apenas “balancear o rotor” é insuficiente em serviços de maior criticidade. Sempre que aplicável, o critério de aceitação deve estabelecer grau de qualidade, rotação considerada e desbalanceamento residual admissível.

Balanceamento em um ou dois planos

No balanceamento em um plano, a correção é concentrada em um único plano transversal. Em dois planos, magnitude e posição angular das correções são determinadas separadamente em dois planos.

A escolha não deve ser feita simplesmente por uma regra como “rotor curto usa um plano e rotor longo usa dois”.

Geometria, distribuição do desbalanceamento, posição dos mancais, velocidade e comportamento dinâmico precisam ser considerados. Para rotores com comportamento rígido, a ISO 21940-11 estabelece procedimentos relacionados ao balanceamento, incluindo a determinação do número necessário de planos de correção. Rotores com comportamento flexível são tratados especificamente pela ISO 21940-12.

Essa distinção é importante porque um rotor pode apresentar comportamento diferente conforme sua relação entre velocidade operacional e velocidades críticas. Portanto, classificar corretamente seu comportamento dinâmico faz parte da definição do procedimento de balanceamento.

Como é realizada a correção

O balanceamento normalmente começa com a medição da condição inicial de vibração e fase. Conforme o método e o equipamento utilizado, pode ser aplicada uma massa de teste conhecida em determinada posição angular para avaliar a resposta do sistema.

A partir dessa resposta, determina-se a magnitude e a posição da correção necessária.

A intervenção pode envolver adição ou remoção controlada de massa, desde que o procedimento seja compatível com o projeto do rotor. Pesos próprios para balanceamento, parafusos, anéis ou remoção localizada de material são possibilidades que dependem da construção do equipamento.

Soldar, furar ou desbastar indiscriminadamente um rotor pode comprometer sua integridade estrutural. O método de correção deve respeitar características construtivas, materiais, tensões mecânicas e orientações aplicáveis ao equipamento. Isso é muito importante.

Depois da correção, uma nova medição é indispensável.

O objetivo não é obter vibração zero

Todo rotor real apresenta algum nível de desbalanceamento residual. O objetivo técnico, portanto, não é perseguir indefinidamente uma condição de “vibração zero”, mas atingir valores compatíveis com os critérios aplicáveis ao rotor e à máquina.

A ISO 21940-11 trabalha com o conceito de desbalanceamento residual admissível para rotores com comportamento rígido e sua distribuição entre os planos de tolerância.

Também é importante não confundir tolerância de balanceamento do rotor com critérios de vibração global da máquina instalada. São avaliações relacionadas, porém distintas.

Um rotor pode atender ao critério de balanceamento especificado e, mesmo assim, a máquina apresentar vibração decorrente de desalinhamento, folga estrutural, ressonância, problemas de mancais ou outras fontes.

Quando corretamente diagnosticado e executado, o balanceamento reduz forças dinâmicas transmitidas aos mancais e à estrutura. Seu maior valor, porém, está no processo completo: identificar corretamente a origem da vibração, corrigir somente quando necessário e comprovar o resultado por medição. Essa abordagem contribui para a confiabilidade, disponibilidade e vida útil dos conjuntos rotativos.

Referências técnicas

  • INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 21940-1:2019. Mechanical vibration – Rotor balancing – Part 1: Introduction. 2019.
  • INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 21940-11:2016. Mechanical vibration – Rotor balancing – Part 11: Procedures and tolerances for rotors with rigid behaviour. 1. ed., 2016.
  • INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 21940-11:2016/Amd 1:2022. Mechanical vibration – Rotor balancing – Part 11: Procedures and tolerances for rotors with rigid behaviour – Amendment 1. 2022.
  • INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 21940-12:2016. Mechanical vibration – Rotor balancing – Part 12: Procedures and tolerances for rotors with flexible behaviour. 1. ed., 2016.

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